sábado, 5 de novembro de 2016

FOTOSSÍNTESE NAS ORQUÍDEAS


Vamos entender este processo?


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As plantas usam a energia da luz para produzir açúcar (fonte de energia) a partir do gás carbônico do ar e da água que absorve.  Depois o açúcar que ela produziu combinado com os sais minerais do adubo dá origem a compostos ainda mais complexos (vitaminas, hormônios, óleos, etc.)
De forma bem simplificada, isso é a fotossíntese:
   
CO2 (gás carbônico) + Água + Luz = Açúcar
A reação parece simples, mas na realidade é bastante complexa. Antes de chegar ao açúcar, surgem vários compostos intermediários e, o primeiro composto estável que surge em planta com folhas largas tem 3 carbonos na molécula (são chamadas de Plantas C3). No caso das plantas com folha estreita (grama, milho, trigo, outras) tem 4 carbonos (Plantas C4). 
Porque esse detalhe é importante? E o que isso tem haver com as orquídeas? Vejamos:
• Nas plantas C3 qualquer célula verde é capaz de realizar fotossíntese.
• Nas C4 somente as células verdes próximas da nervura central da folha, as outras apenas captam a energia da luz na função de antenas de recepção.
Apesar de serem diferentes, tanto as C3 quanto as C4 fixam o gás carbônico do ar durante o dia. Durante a noite a planta gasta na respiração parte do açúcar que produziu de dia. Como isso acontece com orquídeas? 
As orquídeas são plantas CAM, ou seja possuem o Metabolismo Ácido dos Crassuláceas, e é exatamente isso que as torna especial: em dadas circustâncias se comportam com se fossem C3 e em outras como se fossem C4; esta é uma das particularidades de uma planta CAM.
Portanto, dependendo das condições ambientes, as orquídeas podem se comportar como planta C3 ou entrar em um vai-vem (C31C4). 
Como nas plantas C3, as orquídeas também podem produzir açúcar em qualquer uma de suas células verdes.  Mas, a forma de produzi-lo só será do jeito C3 se a umidade no ambiente for boa (Na via C3 a formação de brotos, folhas e raízes é maior). 
Contudo, na natureza onde muitas orquídeas habitam (topos de árvores ou pedras), sempre ocorre falta de água em algum período no ano: especialmente em dias de sol no inverno quando o ar fica bastante seco. Nessa condição a orquídea só é capaz de sobreviver por ser capaz de migrar da via C3 para um vai-vem C3 de dia, C4 à noite. Com isso ela foge da desidratação e da morte. Como ela faz isso? 
• Durante o dia os poros nas folhas (estômatos) se fecham para reduzir a perda de água com a transpiração. Enquanto o problema da desidratação é controlado, surge outra dificuldade: se os poros estão fechados a planta não recebe o fornecimento de gás carbônico do ar (matéria prima do açúcar). Nessa hora, a orquídea se impõe e mostra porque ela pode ser encontrada em quase todo lugar no planeta.  
Mesmo sem o fornecimento de CO2 ela continua normalmente a captação da energia luminosa (pela via C3). A energia da luz é usada para transformar compostos que existem dentro da célula em ácidos orgânicos, os quais vão sendo armazenados num local especial (nos vacúolos). Por isso o metabolismo das orquídeas é conhecido como Metabolismo Ácido das Crassuláceas.
Quando chega a noite, se a temperatura diminui e a umidade no ar aumenta com o sereno, os poros voltam a se abrir e o gás carbônico entra novamente para o interior da planta. Os ácidos que estavam no vacúolo são liberados e reagem com o CO2. Assim o metabolismo se completa.
RELEMBRANDO: Em condições ideais de umidade e luz as orquídeas se comportaram como uma planta C3. Porém, na falta de água, de dia é C3 e a noite muda para C4.
Quem planta milho sabe que ele produz melhor em climas de montanha. Isso porque é uma planta C4. O metabolismo nas C4 é muito eficiente se o dia for bem iluminado e a noite for fria.  Com o frio da noite o consumo de açúcar (energia da planta) é menor já que a respiração também diminui.  Esse fato tem alguma relação com a ocorrência do grande número de espécies de orquídeas nas montanhas capixabas? - Tudo a ver!
Há razões muito importantes para as orquídeas entrarem no vai-vem (C31C4) e não permanecerem sempre na via do tipo C3. 
• Para algumas espécies esse depósito de ácido dentro do vacúolo funciona como estímulo hormonal para o florescimento. Alguns Dendróbios não florescem se as condições de umidade são sempre boas. Precisam passar pelo estresse de dias secos, bem iluminados com noites frias e mais úmidas. 
• Favorece o amadurecimento e resistência da planta. 
No caso do cultivo dentro de vidros as condições de ambiente controlado artificialmente no laboratório (luz, temperatura e umidade sempre ideais) forçam a planta a permanecer na via C3, o que faz com que o crescimento e o desenvolvimento da planta seja mais vigoroso e mais rápido. Porém, para a aclimatização fora dos vidros a exposição (dos vidros ainda fechados) às variações naturais de iluminação e temperatura é benéfica. Tudo, numa medida equilibrada para não prejudicar as plantinhas.
Por todas essas razões é bom levar em consideração a capacidade metabólica das orquídeas no planejamento do regime de adubação, irrigação e no controle da iluminação no orquidário. Acertando no seu funcionamento fisiológico (como funciona biologicamente) pode-se obter da planta a melhor resposta aos tratos culturais. Afinal, a orquídea é uma planta definitivamente especial.
Renato Moraes Abreu

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